O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na manhã de sexta-feira que se reuniria na "Sala de Situação" para tomar uma "decisão final", após apresentar uma série de condições que o Irã deve aceitar antes que ele aprove um acordo para encerrar a guerra.
Não ficou imediatamente claro, a partir da declaração de Trump na Truth Social, quais de suas principais exigências já haviam sido incorporadas ao acordo preliminar que está sendo negociado por autoridades americanas e iranianas para pôr fim ao conflito de três meses.
Trump exigiu que o Irã concordasse em nunca possuir uma arma nuclear e que o Estreito de Ormuz fosse "aberto imediatamente" ao tráfego marítimo, sem quaisquer restrições ou taxas de trânsito.
Ele também afirmou que o bloqueio naval dos EUA contra o Irã no Golfo de Omã "será suspenso agora", embora não esteja claro se ele quis dizer que essa medida só ocorreria se as condições anteriores fossem atendidas.
Trump acrescentou que o material enriquecido enterrado em locais alvejados durante os ataques do ano passado às instalações nucleares do Irã "será extraído" pelos Estados Unidos "em estreita coordenação e cooperação com a República Islâmica do Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica", antes de ser destruído.
Ele também disse: "Nenhum fundo será trocado até novo aviso", acrescentando que "outras providências menos importantes foram acordadas".
Trump concluiu dizendo: "Estou me dirigindo agora à Sala de Situação para tomar a decisão final."
Os preços do petróleo caíram após a publicação de Trump.
Divergências sobre o texto do acordo
Os termos exatos do acordo permanecem incertos. Mais tarde, na sexta-feira, a agência de notícias iraniana Fars respondeu à declaração de Trump, afirmando que ela incluía questões que “contradizem as disposições do texto do acordo”.
A agência afirmou em uma publicação no Telegram, citando fontes bem informadas, que não existe nenhuma cláusula no acordo que obrigue a passagem pelo estreito a permanecer aberta sem cobrança de taxas.
O documento também afirma que a minuta do acordo não contém nenhuma menção ao desmantelamento ou destruição do material nuclear iraniano.
A agência Fars enfatizou que "a parte mais importante do acordo" é o "pagamento imediato de US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados", acrescentando que o Irã rejeitará quaisquer negociações adicionais a menos que esse pagamento seja feito.
A Casa Branca não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da CNBC sobre as declarações de Trump e a resposta da Fars.
Na quinta-feira, um funcionário da Casa Branca confirmou uma reportagem do Axios afirmando que negociadores dos EUA e do Irã haviam chegado a um memorando de entendimento de 60 dias que estenderia o cessar-fogo atual e abriria caminho para negociações nucleares.
Segundo o relatório, o memorando também suspenderia as restrições à navegação pelo estreito e exigiria que o Irã removesse todas as minas da hidrovia em 30 dias, em troca do levantamento do bloqueio pelos Estados Unidos.
Segundo reportagem da Axios, a questão do estoque de urânio altamente enriquecido do Irã e seu programa de enriquecimento serão prioridades máximas durante o período de 60 dias. Espera-se também que a minuta abra caminho para negociações sobre o alívio das sanções e a liberação de fundos iranianos congelados.
O estado do Estreito de Ormuz
Os recentes sinais de Trump sugerindo progresso em direção a um acordo de paz entre os EUA e o Irã contrastam com a contínua escalada militar e econômica entre os dois países, bem como com a retórica anti-americana persistente por parte de autoridades iranianas.
O Pentágono anunciou na manhã de quinta-feira que o Irã lançou um míssil balístico em direção ao Kuwait e implantou drones de ataque dentro e ao redor do Estreito de Ormuz. A mídia iraniana também noticiou no final da quinta-feira que as forças armadas iranianas lançaram mísseis contra alvos não divulgados.
O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou novas sanções contra o Irã na quarta e quinta-feira, incluindo medidas que visam os esforços recentes de Teerã para exercer controle sobre o tráfego marítimo no estreito.
Em postagens no Facebook antes das declarações de Trump na sexta-feira, autoridades iranianas demonstraram desafio aos Estados Unidos, elogiando as relações com países vizinhos do Oriente Médio, incluindo Omã, que recentemente foi alvo de ameaças de Trump.
Segundo relatos, Omã tem mantido discussões com o Irã sobre as taxas de trânsito para navios que passam pelo Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte global de petróleo, cujo tráfego tem sido severamente prejudicado pelas ameaças iranianas desde o início da guerra.
Durante uma reunião de gabinete na quarta-feira, Trump disse: "Omã vai se comportar como todos os outros, ou teremos que bombardeá-los."
Na quinta-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, alertou Omã de que os Estados Unidos "atacariam agressivamente" qualquer parte envolvida em "facilitar a imposição de taxas" na passagem pelo estreito.
Em uma postagem traduzida no X, atribuída ao presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, na manhã de sexta-feira, foi oferecida uma descrição vaga, porém incisiva, das negociações.
O relato dizia: “Não conseguimos concessões por meio do diálogo, mas sim por meio de mísseis; as negociações apenas os fazem entender isso.”
Acrescentou ainda: “Não confiamos em garantias ou palavras. Ações são o padrão. Nenhuma medida será tomada antes que a outra parte aja.”
O comunicado prosseguia: "O vencedor de qualquer acordo é o lado que estiver mais preparado para a guerra no dia seguinte."
Entretanto, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse ter conversado com seu homólogo omanita e "reafirmado a solidariedade do Irã com Omã diante de qualquer ameaça".
Os principais índices de Wall Street continuaram a atingir novos recordes na sexta-feira, encaminhando-se para ganhos semanais e mensais, com o avanço das ações de tecnologia e o aumento do otimismo dos investidores após notícias de que os Estados Unidos e o Irã haviam chegado a um acordo para estender o cessar-fogo.
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